Ligamos o noticiário e não é preciso esperar dez minutos para escutar sobre tragédias e catástrofes e violência de todo gênero. É um bombardeio de informações, mostrando que o mundo está um verdadeiro Caos. Enquanto o Caos acontece, o Bem não é noticiado com a mesma ênfase. Nessa sessão, falaremos apenas das BOAS NOTÍCIAS. Foque seu olhar e preste atenção.... nas coisas maravilhosas que andam acontecendo por aí....

Tailândia 3 em 1

Fonte: http://gooutside.terra.com.br/


Um mestre de muay thai, o boxe tailandês uma ativista que fundou um santuário de elefantes para proteger os paquidermes da extinção e um monge que cuida de 17 tigres. Três histórias para te fazer ver que a Tailândia é bem mais do que a comida apimentada, as belas praias e as massagens "terapêuticas"

Texto e fotos Henry Ajl

 

LUTA PESADA

IMAGINE ACORDAR TODOS OS DIAS com a tarefa de alimentar 30 elefantes. Pois essa é a missão diária de Lek, uma moça de 30 e poucos anos que vive em Chiang Mai, no norte da Tailândia. Lek, em tailandês, quer dizer pequena. Pequena ela de fato é. Corpo mirrado, frágil, não mais de 1,50 metro de altura. Sua missão, no entanto, é titânica e a sua coragem não tem limites. Ameaçada de morte, ela já mudou de endereço algumas vezes para se proteger. Volta e meia sua propriedade é invadida, o seu nome difamado e até o governo da Tailândia cogitou caçar a sua cidadania. Mas, afinal, o que essa "pequena" fez de tão mal?

A resposta depende do ponto de vista. Para aqueles que estão do lado da preservação do meio ambiente, do respeito aos animais e da vida, Lek é um símbolo de luta e de resistência. Para assassinos, madeireiros inescrupulosos e criminosos ligados à indústria do turismo, a moça é uma ameaça a ser neutralizada, já que luta por uma causa correta, digna e justa: salvar os elefantes da Tailândia que estão em franco processo de extinção. Mas essa é apenas uma visão restrita da questão. Numa perspectiva mais ampla, sua luta é pelas florestas e pela fauna de todo o sul da Ásia, região de natureza única no mundo - algumas de suas últimas ações alcançaram os territórios do Camboja, do Laos e da Índia.

Tudo começou há pouco mais de dez anos, quando Lek foi trabalhar para alguns proprietários de "Centros de Treinamento de Elefantes" para a indústria do turismo. A tarefa que lhe foi passada era relativamente simples: recrutar animais considerados inapropriados para a extração de madeira por terem sido "usados excessivamente". Foi aí que ela pôde testemunhar a crueldade com que os elefantes são tratados pelas madeireiras e pelos "treinadores". Especialmente brutal era o processo de "amansamento" dos bichos para o transporte de turistas em cestas de vime presas sobre o lombo dos animais. Nesse processo é corriqueira a utilização de ganchos pontiagudos fincados na testa, orelha e pescoço dos elefantes para que os mesmos respeitem os treinadores e evitem movimentos bruscos. A reportagem da Go Outside assistiu a imagens clandestinas captadas pela equipe de Lek que mostram um campo de extração ilegal de madeiras, onde uma elefanta grávida era utilizada para o deslocamento de toras imensas. O "condutor" ficava sentado sobre o pescoço do animal e o golpeava com o calçado cheio de pregos, ocasionando desespero no bicho e forçando-o a sair daquela posição o mais rápido possível, naturalmente, puxando a madeira morro acima. O resultado final deste ato criminoso foi a morte da gestante e do filhote em razão do esforço extremo a que a elefanta foi submetida.

Lek não suportou a tragédia que estava presenciando e decidiu lutar contra aquela injustiça. Com a ajuda de alguns poucos apoiadores, adquiriu um pedaço de terra a 70 quilômetros ao norte de Chiang Mai, onde fundou o Santuário dos Elefantes. A região é cortada por um rio, rodeada de montanhas e recoberta por mata nativa. Faltavam apenas os elefantes para habitar o lugar. Lek saiu à procura de animais descartados pelos madeireiros. Comprou alguns, "roubou" outros e começou a povoar o seu santuário.

À MEDIDA QUE O PROJETO CRESCIA e se tornava realidade, atraía novos colaboradores, mas também a ira de madeireiros e de gente ligada ao "turismo de elefante". Foram estes últimos que recorreram, em 2002, ao Ministério do Turismo alegando que os atos de Lek prejudicavam os negócios, reduzindo os lucros proporcionados pelos animais. Como resultado, representantes do governo tailandês tentaram caçar a cidadania de Lek sob alegações esdrúxulas, só que ela não se acovardou diante das ameaças e foi, inclusive, bem arrojada quando idealizou o "Jumbo Express", uma espécie de clínica móvel para resgate e tratamento médico de elefantes em áreas remotas. Veterinários e voluntários recrutados no santuário costumam se embrenhar nas florestas do norte da Tailândia uma vez por mês em busca dos animais feridos - alguns até abandonados - durante a extração e transporte de madeira. "Alguns elefantes sofreram tanto nas mãos do homem que têm medo dos seres humanos e podem ficar agressivos. Aos poucos, com amor, nós tentamos mostrar a eles que o sofrimento acabou e que eles podem confiar em nós, o que não é fácil."

A hora do almoço é uma festa no santuário. Lek chega de Chiang Mai com a caminhonete repleta de abacaxis, abobrinhas, mamões, abóboras e alfaces. Rapidinho, a sede do local - um conjunto de casas de madeira interligadas por passarelas - está cercada por 20 e poucos paquidermes esfomeados. Voluntários e visitantes se divertem colocando frutas inteiras na boca dos animais. A habilidade das trombas é incrível. As bananas são descascadas pacientemente com a extremidade do membro que parece mais um punhado de dedos habilidosos. Depois do banquete, homens e elefantes seguem juntos para o rio para um banho refrescante. No caminho, os filhotes se divertem, brincando de passar por entre as pernas das mães. Paparicados por até 15 pessoas de uma só vez, os elefantes ficam felizes da vida (parece incrível afirmar isso, mas dá pra ver no rosto desses animais que eles estão bem).

PEDICURO: Voluntário dá um trato na pata de um elefante no santuário

Mais do que um simples centro de conservação de elefantes, o santuário criado por Lek propõe uma mudança nos conceitos sobre os quais o turismo na Tailândia - e em boa parte do Sudeste Asiático - está estabelecido. Ao invés de se aproveitar dos animais, seja como meio de transporte para turistas, seja como "palhaços" que andam em duas patas ou chutam bolas coloridas, Lek e sua turma convidam os viajantes a participar de uma aventura fascinante, que é observar e conviver com uma manada de elefantes em seu habitat natural. Aprender como se comportam socialmente, presenciar a interação entre machos, fêmeas e filhotes e até mesmo participar de uma longa caminhada de três dias acompanhando a manada até o interior das florestas tailandesas são algumas possibilidades disponíveis nesse novo turismo ecologicamente responsável. Portanto, se um dia você viajar à Tailândia e lhe oferecerem uma aventura sobre o lombo de um elefante, por favor, considere este apelo: não aceite. Ao invés disso, dê uma passada no Santuário dos Elefantes.

 

Para conhecer o trabalho de Lek, entre no site: www.elephantnaturepark.org.

COMBATE DE FÉ

NUMA MANHÃ FRIA DE NOVEMBRO, a cerração recobre as montanhas de Mae Hon Son. A neblina é tão densa que pouco se vê da encosta dos morros. A visão fica embotada e a vegetação parece mais um borrão verde que flutua ao gosto da nuvem baixa. Cena de filme de suspense. Para completar o clima de mistério, cavaleiros em roupas alaranjadas avançam numa fileira única pela estradinha de terra que recorta o relevo acidentado. Só de perto é que se consegue discernir os detalhes daquelas figuras saídas não se sabe de onde. Com uma das mãos conduzem os cavalos pelas rédeas, enquanto a outra mantém presa junto à cintura uma jarra preta de porcelana. São mais de 30, jovens e velhos, todos homens e com as cabeças raspadas. Fica claro que são monges budistas e seguem, no ritmo da cavalgada, até o monastério localizado atrás da montanha. A ponta de uma estupa (monumento bramanista ou budista para guardar relíquias e marcar o caráter sagrado do lugar) que se projeta sobre a cerração indica o local. Às portas do templo, centenas de fiéis aguardam a fileira de monges-cavaleiros. Doam alimentos, que colocam dentro das jarras de porcelana, e esperam pela bênção do líder espiritual do lugar que bem poderia ser um personagem de filme.

Kruba Neachay tem o corpo tatuado. No ombro esquerdo, a cabeça de um tigre de perfil impressiona. No peito, antebraço, nuca e couro cabeludo estão talhadas inscrições budistas, prova irrefutável da fé que conduz as ações diárias deste monge. Kruba nunca sonhou em seguir a vida monástica, muito menos em se tornar um líder religioso. Tudo aconteceu por acaso. Ele era boxeador. Dedicou décadas ao muay thai e queria derrubar o maior número possível de adversários. A glória e a fama lhe atraíam e ele estava próximo de se tornar um lutador famoso, mas aí teve um sonho, importante e revelador. Ele teria de se dedicar ao espírito, primeiro ao seu próprio e, depois, ao das outras pessoas. E deveria se tornar um instrumento pelo qual a comunidade atingiria o bemestar. Foi o bastante para Kruba mudar de vida. O lutador retirou-se para as montanhas para meditar e na volta deixou casa e família para tornar-se um monge. Em pouco tempo, sua personalidade forte e a sua perseverança lhe trouxeram admiração, mesmo entre os monges mais velhos. Até que foi enviado a um templo perdido entre as montanhas do norte da Tailândia, uma região pobre, habitada por minorias étnicas que vivem em condições precárias, mas que teimam em brigar umas com as outras. A missão do jovem monge não era simples: trazer os jovens dessas comunidades para o monastério, proporcionar-lhes melhores condições de vida e ensiná-los a conviverem pacificamente.

BOXE: O monge Kruba Neachay treina no templo

O primeiro ato do monge foi, no mínimo, curioso. Instalou um tambor de madeira e couro de búfalo bem à frente do templo e nele talhou a imagem de um tigre (símbolo que se tornaria a marca registrada desse monastério em toda a Tailândia). Aos poucos, jovens das tribos hmong, karen e akha começaram a afluir ao monastério, menos interessados nos preceitos budistas do que na certeza da refeição diária que ali receberiam. O excesso de hormônio da juventude e as diferenças étnicas logo se combinaram gerando brigas e enfrentamentos. Foi aí que Kruba Neachay apelou para os ensinamentos ancestrais do muay thai para resolver a situação. Ele sabia que não poderia evitar confrontos diante da energia concentrada daqueles jovens e decidiu estimulá-los a brigar, mas dentro das regras e da filosofia marcial do boxe tailandês.

AS PRIMEIRAS LUTAS DE UM JOVEM SÃO SEMPRE CONTRA O TAMBOR do tigre, jamais contra uma pessoa. A justificativa de Kruba para isso é simples e explica o porquê do boxe tailandês ser conhecido como a "Ciência dos Oito Membros". O boxeador deve ser capaz de enfrentar um adversário de olhos fechados, atento apenas aos golpes que desfere e ao som que provocam. O treino contra o tambor aguça a audição do lutador. Golpeando com cotovelos, joelhos, pés e punhos, numa seqüência longa e extenuante, o boxeador fixa o ritmo dos golpes na cadência do tambor.

Kruba acompanha o processo de perto e comanda o treinamento. Não é incomum ver os lutadores desabando depois de uma sessão intensa contra o tambor. O monge conta que a prática é a mesma que o exército siamês (do antigo reino do Sião, antecessor da Tailândia) realizava antes das batalhas contra as tropas burmesas e chinesas, e que teria sido utilizada, inclusive, contra os ingleses. Mas, ele reitera que o espírito da prática é o da autodefesa. "O muay thai foi criado pelos nossos antepassados como autodefesa e não para o ataque. Talvez tenha sido essa filosofia que permitiu à Tailândia ser um dos únicos países do mundo a não ser colonizado por povos estrangeiros." Além disso, o monge enfatiza que a disciplina é essencial. "Um lutador de muay thai deve ter mente e corpo sãos. A luta exige total concentração e é incompatível com bebidas ou drogas." Este último ensinamento de Kruba é especialmente interessante e tem conseqüências sociais importantes se considerarmos que a região está próxima do Triângulo do Ópio, o que torna a droga acessível à maioria dos jovens que vivem nas montanhas. Muitos rapazes param de beber ou deixam de usar drogas para poderem freqüentar os treinamentos no monastério. Outros até se tornam monges e buscam novos adeptos em seus vilarejos de origem (durante a permanência da equipe da Go Outside no local, presenciamos a chegada de três meninos trazidos por um amigo que havia se tornado um pupilo de Kruba Neachay).

Respira-se boxe tailandês neste monastério. Entre a sala de meditação e o santuário com imagens de Buda encontramos um ringue e uma pequena arquibancada de madeira. Aos sábados, gente de toda a região se dirige ao lugar para um dia dedicado ao budismo e ao muay thai. Logo cedo, recebem o monge e seus discípulos montados em seus cavalos e oferecem comidas e doações. Depois, participam de uma cerimônia liderada pelo mestre Kruba, que se dedica a ouvir a todos, um a um, e os aconselha. Mas o grande evento do dia é reservado à prática ancestral do boxe tailandês. Todos os rituais são seguidos: primeiro, a ram muay, que é a dança ritualística que precede os combates e evidencia a obediência dos lutadores aos seus mestres. Os boxeadores vestem bandanas e enrolam faixas com imagens de Buda nas mãos. Depois, inicia-se a sessão de combates que é presidida pelo próprio Kruba. O clima é de total cordialidade, mas as lutas são levadas a sério e os golpes são pra valer. A maioria dos lutadores têm o símbolo do tigre tatuado no peito. Pessoas de diversas etnias, algumas acostumadas a se enfrentar em batalhas tribais, sentam lado a lado, nas arquibancadas, unidas pela arte marcial. Talvez, inconscientemente, Kruba Neachay tenha transformado o seu monastério num dos únicos redutos da Tailândia onde as origens do boxe tailandês ainda sobrevivem.

COMPAIXÃO: Chan faz carinho em um dos seus 17 tigres

 

Para chegar ao templo do muay thai, pergunte na cidade de Mae Hon Son a direção do templo do mestre Kruba Neachay. As pessoas apontarão na direção das montanhas do norte. O jeito é seguir para lá de carro e estar preparado para balançar em estradinha de terra. Não esqueça de levar um intérprete para se informar sobre o caminho correto e para possibilitar a comunicação quando chegar ao templo (o lugar também é famoso por ser o único na Tailândia onde os monges utilizam cavalos como meio de transporte).

COMPAIXÃO FEROZ

PRA ACHARN PHUSIT - Chan para os íntimos - adora animais domésticos. No lugar onde vive há cavalos, cachorros, búfalos, macacos, veados e 17 tigres. Não é de se admirar que o "hobby" de Chan chame tanto a atenção, ainda por ele ser um monge budista, responsável pelo templo Pa Luangta Bua Yanasampanno, mais conhecido como o templo dos Tigres, localizado na província de Kantchanaburi, às margens do lendário rio Kwai.

A relação de amizade meio paternal entre o monge e os felinos começou em 1999. Certo dia, uma família visitou o monastério trazendo uma "encomenda" muito especial. A caixa de papelão de mais ou menos um metro quadrado estava coberta por um pano branco de algodão. O monge foi chamado de lado pelo pai da família que, nervoso, explicou que só Chan poderia dar conta daquela situação. Sem entender sobre o que o homem estava falando, o monge foi até a caixa e retirou o pano, de sopetão. Quase caiu para trás com o que viu. Dois filhotes de tigre, um macho e uma fêmea, machucados e desnutridos, miavam e olhavam curiosos para ele. Ele se indignou, berrou e exigiu uma explicação. A esposa do homem contou que eles vinham de uma região distante, próxima à fronteira com Mianmar (antiga Birmânia), no noroeste do país, e que era um milagre aqueles bichinhos estarem vivos - a mãe havia sido morta por caçadores cruéis que tentaram envenenar os filhotes, mas eles conseguiram sobreviver e agora precisavam de alguém pra cuidar deles.

"Por que eu? Como vou cuidar de tigres?", perguntou o monge, incrédulo. O homem contou que havia sido um amigo seu que já havia visitado o monastério que lhe revelou a inclinação do monge para animais de estimação, o cuidado dedicado aos bichos e que certamente ele não abandonaria aquelas criaturas ao deus-dará. "Mas esses são tigres, TIGRES!", contestou Chan, desesperado. Para encurtar a história, o par de felinos ganhou um novo lar em pleno coração de Kantchanaburi. Infelizmente, a filhote fêmea não resistiu aos ferimentos e morreu logo depois. Mas seu irmão, Saifa, que significa raio em tailandês, é hoje uma das atrações do templo (Saifa tem hoje exuberantes 230 quilos).

TODAS AS MANHÃS, CHAN MEDITA no pavilhão da Compaixão, um nome muito apropriado em razão da virtude que é bastante praticada no lugar. Depois, acaba se envolvendo em temas burocráticos que volta e meia lhe carregam até Bancoc, a 180 quilômetros de distância. As tardes, porém, são religiosamente dedicadas aos companheiros felinos. Acompanhamos o mestre num passeio pelo vale dos Tigres, que fica dentro da área do monastério. Chan escolheu o tigre Techo (Fogo) para caminhar ao seu lado enquanto os demais felinos eram conduzidos por outros monges. Durante o passeio, Chan contou que cada monge fica responsável pelo tigre cuja personalidade é mais parecida com a sua própria e acrescenta que isso é para "evitar brigas entre monges e tigres". Parece até brincadeira, mas é sério. Enquanto isso, Techo caminhava tranqüilamente ao lado de Chan, conduzido por uma coleira feita de metal. Logo atrás, vinha o filhote Sairung, correndo pra lá e pra cá, como um moleque.

Número de elefantes selvagens na Tailândia:
Ano Número
1900 150 mil
2006 1.500
Você sabia?

o Os elefantes não têm uma boa visão e só enxergam bem um objeto a até dez metros de distância.
o As grandes orelhas atuam como amplificadores e avisam sobre eventuais perigos.
o O olfato desses paquidermes é impressionante, sendo superior ao de qualquer outro animal terrestre.
o O tato é muito desenvolvido. A tromba é um órgão versátil e ágil, utilizado para inúmeras funções, desde levantar uma carga de 500 quilos até pegar uma moeda.
o O paladar também é desenvolvido e informa o animal sobre alimentos palatáveis ou não.

O vale acaba num pequeno desfiladeiro onde os monges liberam os seus companheiros para um banho de sol. O piso de areia do lugar fica como que recoberto por um manto bordado de negro e amarelo. Os monges sentam ao lado dos bichos, afagam a cabeça de uns, analisam os dentes de outros e brincam com aqueles que não caem no sono. Chan nos levou para conhecer um a um pessoalmente. Sob a adrenalina do momento, acompanhamos o mestre que nos mostrava garras e dentes enormes e pontiagudos. Sem perceber, acabamos no meio do lugar, rodeados por 17 tigres. O monge nos contou a trajetória de cada um dos felinos até a chegada ao monastério. A história é sempre a mesma: estes animais viviam nas densas florestas do norte da Tailândia, próximas à fronteira com Mianmar, uma região de montanhas, rios e vales. Caçadores atraídos pelo lucro gerado com a venda dos órgãos do tigre no mercado negro se infiltraram nas florestas e abateram os animais. Por vezes, levaram os tigres ainda vivos para os vilarejos, já que o lucro é maior se os compradores puderem avistar a fera com vida antes de adquiri-las. Há também o caso de filhotes que sobreviveram mesmo após a morte das mães pelos caçadores. São estes os tigres de Chan, animais que estiveram à beira da morte, mas que foram salvos das garras dos caçadores e, posteriormente, enviados ao templo, onde foram recebidos, alimentados e tratados.

Um projeto ambicioso está na pauta do dia no templo dos Tigres. A construção de uma "ilha dos Tigres", onde os animais seriam libertados para viverem como se estivessem em seu habitat natural. A idéia de Chan é cavar um imenso buraco de quatro metros de profundidade ao redor de uma área de cinco quilômetros quadrados. Os tigres seriam soltos dentro desta área recoberta por florestas e seriam obrigados a desenvolver as habilidades básicas necessárias à vida selvagem. "O nosso objetivo é preparar estes animais para serem reintroduzidos no seu habitat natural, que são as florestas do norte", conta o monge, que acrescenta, "só espero que os caçadores tenham compaixão e não acabem com um animal tão maravilhoso como esse".

 

Saiba mais sobre o templo dos Tigres no site: www.tigertemple.org.

 

 

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