Somos
gladiadores ou leões nos dias de hoje?
"Nas arenas - a mais famosa era o Coliseu
de Roma - os gladiadores lutavam entre si utilizando vários
armamentos como, por exemplo, espadas, escudos, redes,
tridentes, lanças, etc. Participavam também das lutas montados
em cavalos ou usando bigas (carros romanos puxados por cavalos).
Muitas vezes esses gladiadores eram colocados na arena para
enfrentarem feras (leões, onças e outros animais selvagens). O
combate entre gladiadores terminava quando um deles morria ou
ficava ferido com impossibilidade de continuar a luta. Essa luta
entre gladiadores fazia parte da política do "pão-e-circo"
instituída no Império Romano, cujo objetivo principal era
amenizar a revolta dos romanos com os problemas sociais."
O despertador toca novamente e é como se fossemos soltos das
jaulas. Tomamos o banho e o café matinal nos preparando para
mais uma jornada. Tudo é feito de forma mecânica, às pressas...
Enfrentamos os ônibus lotados, o trânsito caótico, as buzinas
disparando... Pessoas estressadas, sem brilho nos olhos, com
todas as preocupações estampadas no rosto...
E gente cada vez mais doente por uma alimentação precária nos
fast-foods, "colocando pra dentro" qualquer coisa que dê tempo
de absorver... fumando um cigarro após o outro pra "agüentar" a
pressão...
O contato humano está cada vez mais escasso, afinal, hoje se
pode mandar um abraço para as pessoas que mais se ama por e-mail
ou pelo celular. Ligamos a tv no noticiário, compramos o jornal,
acessamos os sites na Internet - as notícias sempre as mesmas -
quem morreu desta vez? Qual bomba foi lançada? Que guerra
começou? Um novo flagrante de pedofilia... Fome em diversos
países... Ah, mas que bom! No meio disso tudo tem o futebol pra
nos entreter e nos divertir! Ufa...
Será mesmo? Mais uma vez a política pão-e-circo se repete e
todos nós talvez estejamos numa grande arena assistindo e
aplaudindo as mesmas cenas de épocas atrás. Somos leões loucos e
famintos de coisas que nem sabemos nominar? Ou gladiadores
lutando e nos defendendo para continuarmos vivos?
Quantas vezes agimos ainda em nosso estado mais primitivo,
negando tudo o que nossa alma nos pede?
No fim do dia, quantas vezes somos corpos entregues à cama sem
força, sem prazer e sem energia?
Precisamos ter coragem de ver o que estamos fazendo conosco e
para onde estamos indo... Observarmos as prioridades de nossa
vida...
Se estamos dando atenção a elas... Se estamos negando a nós
mesmos, com a desculpa de estarmos cuidando de outros...
Se estamos nos escondendo atrás dos problemas que nós mesmos
criamos...
Se acreditamos verdadeiramente que somos capazes de realizar
mudanças...
Se estamos sabotando tantas oportunidades de expandir nossas
emoções..
Se estamos nos permitindo sentir a vida....
Precisamos ter coragem de sair das arenas e de ver novas
paisagens. Experimentar calor humano. Largar o telefone, o
computador e nossas zonas de conforto para irmos abraçar alguém
que amamos. Para olharmos cada um nos olhos dos outros para
marcarmos o espírito das pessoas com nossa presença de luz...
E para afagar e ser afagado... Para vivenciarmos o quanto
realmente não podemos viver numa ilha. De que precisamos uns dos
outros e de que a gratidão é o melhor caminho para a felicidade.
E que saibamos ofertar ao outro tudo aquilo de que
verdadeiramente nos alimentamos. Nem pão, nem circo... mas as
coisas que fazem a vida, sim, valer a pena!
Que pratiquemos ver, sentir, ouvir e respirar a essência de
todas as coisas!